quarta-feira, 14 de abril de 2010

DISCIPLINA À LUZ DE FREIRE

Flávia Garcia Fernandes

           A palavra disciplina, segundo o minidicionário Aurélio, significa “regime de ordem imposta ou mesmo consentida; ordem que convém ao bom funcionamento de uma organização; relações de subordinações entre aluno e mestre ou ainda, uma submissão a um regulamento”.
Falamos quase que diariamente em disciplina na escola quando nos referimos a regra, método, senso de responsabilidade e determinação.
Tentamos recuperar o sentido de educação e o sentido de disciplina conciliando-as dentro do processo pedagógico.
       A disciplina é uma atitude necessária para serem realizadas aprendizagens, é inerente a educação e as atitudes necessárias a essa mesma. É um hábito interno que facilita a cada pessoa o cumprimento de suas obrigações, é um autodomínio, é a capacidade de utilizar a liberdade pessoal, isto é, a possibilidade de atuar livremente superando os condicionamentos internos ou externos que se apresentam na vida cotidiana.
         A educação em si é um disciplinamento pois faz distinções e percepções das coisas e saberes. Dentro da Pedagogia Escolar temos necessidade de uma disciplina participativa e ouvinte, onde todos os sujeitos tenham voz e vez de falar e ouvir, para assim continuarem a construir aprendizagens necessárias para a objetivação dos mesmos, conceitualizarem o que é necessário na Educação , separando os diferentes saberes de maneira organizada, afim da compreensão plena do que se aprende.
       Temos uma tarefa essencial como educadores que é tratar nossos educandos com estima e respeito. Para estar em condições de educar, o educador precisa estabelecer relações cordiais e afetuosas com seus alunos; criar um ambiente estimulante de compreensão e colaboração, usando de atitudes amistosas e pacientes com todos os alunos sem distinção.
         No espaço entre professor e aluno não pode ocorrer palavras ou gestos que signifiquem menosprezo; nem que se ridicularize um aluno perante seus companheiros, ou a impaciência com seu erro; nem para ameaças ou concessão de privilégios; ou para a ação que não aceita que os alunos tenham direitos à justificativas, ou ainda, a utilização de sanções para estimular aprendizagens.
           A falta de coerência entre o que o professor diz e o que ele faz, entre os valores que ele tenta transmitir aos alunos e os que ele mesmo vive também pode ser uma causa escolar da ausência da disciplina, como outras tais quais: condições desfavoráveis do ambiente escolar que está atuando sobre os alunos: locais e mobiliários inadequados, falta de unidade e critério dos professores e equipe da escola. Também devemos contar com o auxílio da família em casos mais graves.
Freire faz uma reflexão que uma das tarefas do educador ou educadora progressista é desvelar as possibilidades para a esperança, não importam os obstáculos. A pedagogia da esperança faz-se também necessária para o enfrentamento das "situações-limites", ou seja: os obstáculos e barreiras que precisam ser vencidas ao longo de nossas vidas pessoal e social. Segundo ele, as pessoas têm várias atitudes frente a essas situações-limites:

“ou as percebem como um obstáculo que não podem transpor; ou como algo que não querem transpor; ou ainda como algo que sabem que existe e precisa ser rompido e então se empenham na sua superação” (FREIRE:1992, p. 205).

           Nessa perspectiva freiriana a esperança é necessária, para romper essas “situações-limites” e, ao assumir uma postura crítica frente ao mundo, negar o dado, em ações de superação denominadas por Freire de “atos-limites”. Através desses atos-limites, transpõe-se a fronteira entre “o ser e o ser mais”, ampliando a liberdade dos oprimidos e descobrindo o “inédito-viável”. O inédito-viável é uma coisa inédita, que o sonho utópico sabe que existe mas que só será possível a partir da práxis libertadora, quando a partir da reflexão-ação se derrubam as situações-limites que nos limitam a “ser menos”.
            Também se preocupa com uma relação dialógica e amorosa entre educador e educando, pais e filhos, onde esse ajuda a construir relações democráticas dentro de uma base familiar/escolar autoritária, substituindo os castigos violentos. Reflete a importância do senso comum e de toda a aprendizagem nele contida.
           Considera a disciplina como: o domínio de si mesmo para ajustar a conduta às exigências do trabalho e de convivências próprias da vida escolar, não como um sistema de castigos ou sanções que são aplicadas a alunos que alteram o desenvolvimento normal das atividades escolares com uma conduta negativa.


FREIRE, Paulo. À sombra desta mangueira.2a edição, Ed. Olho D’água, São Paulo, 1995, 120p.


FERREIRA, Aurélio. Minidicionário Aurélio. Rio de Janeiro, Nova Fronteira:1977.

2 comentários:

  1. Disciplina em Freire...conceitos de pesquisa.

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  2. Lobo com pele de cordeiro? É isso que minha avó dizia???

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