segunda-feira, 19 de abril de 2010

Lendas indígenas

O UIRAPURU

Certa vez um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique, mas não podia aproximar-se dela. Então pediu a Tupã que o transformasse num pássaro. Tupã fez dele um pássaro de cor vermelho-telha. Toda noite ia cantar para sua amada. Mas foi o cacique que notou seu canto. Tão lindo e fascinante era o seu canto, que o cacique perseguiu a ave para prendê-la, só para ele.

O Uirapuru voou para bem distante da floresta e o cacique que o perseguia, perdeu-se dentro das matas e igarapés e nunca mais voltou. O lindo pássaro volta sempre canta para a sua amada e vai embora, esperando que um dia ela descubra o seu canto e seu encanto.

AS LÁGRIMAS DE POTIRA
Muito antes de os brancos atingirem os sertões de Goiás, em busca de pedras preciosas, existiam por aquelas partes do Brasil muitas tribos indígenas, vivendo em paz ou em guerra e segundo suas crenças e hábitos.
Numa dessas tribos, que por muito tempo manteve a harmonia com seus vizinhos, viviam Potira, menina contemplada por Tupã com a formosura das flores, e Itagibá, jovem forte e valente.
Era costume na tribo as mulheres se casarem cedo e os homens assim que se tornassem guerreiros.
Quando Potira chegou à idade do casamento, Itagibá adquiriu sua condição de guerreiro. Não havia como negar que se amavam e que tinham escolhido um ao outro. Embora outros jovens quisessem o amor da indiazinha, nenhum ainda possuía a condição exigida para as bodas, de modo que não houve disputa, e Potira e Itagibá se uniram com muita festa.
Corria o tempo tranqüilamente, sem que nada perturbasse a vida do apaixonado casal. Os curtos períodos de separação, quando Itagibá saía com os demais para caçar, tornavam os dois ainda mais unidos. Era admirável a alegria do reencontro!
Um dia, no entanto, o território da tribo foi invadido por vizinhos cobiçosos, devido à abundante caça que ali havia, e Itagibá teve que partir com os outros homens para a guerra.
Potira ficou contemplando as canoas que desciam rio abaixo, levando sua gente em armas, sem saber exatamente o que sentia, além da tristeza de se separar de seu amado por um tempo não previsto. Não chorou como as mulheres mais velhas, talvez porque nunca houvesse visto ou vivido o que
sucede numa guerra.
Mas todas as tardes ia sentar-se à beira do rio, numa espera paciente e calma. Alheia aos afazeres de suas irmãs e à algazarra constante das crianças, ficava atenta, querendo ouvir o som de
um remo batendo na água e ver uma canoa despontar na curva do rio, trazendo de volta seu amado. Somente retornava à taba quando o sol se punha e depois de olhar uma última vez, tentando distinguir no entardecer o perfil de Itagibá.
Foram muitas tardes iguais, com a dor da saudade aumentando pouco a pouco. Até que o canto da araponga ressoou na floresta, desta vez não para anunciar a chuva mas para prenunciar que Itagibá não voltaria, pois tinha morrido na batalha.
E pela primeira vez Potira chorou. Sem dizer palavra, como não haveria de fazer nunca mais, ficou à beira do rio para o resto de sua vida, soluçando tristemente. E as lágrimas que desciam pelo seu rosto sem cessar foram-se tornando sólidas e brilhantes no ar, antes de submergir na água e bater no cascalho do fundo.
Dizem que Tupã, condoído com tanto sofrimento, transformou suas lágrimas em diamantes, para perpetuar a lembrança daquele amor.

O GUARANÁ
Numa aldeia indígena um casal teve um filho muito bonito, bom e inteligente. Era querido por toda a tribo. Por isso Jurupari, seu pai, começou a ter raiva dele, até que um dia transformou-se em uma cobra, permanecendo em cima de uma árvore frutífera.
Quando o menino ainda criança foi colher um fruto desta árvore, a cobra atirou-se sobre ele e o mordeu. Sua mãe já o encontrou sem vida. Ela e toda tribo choraram muito. Enquanto isso, um trovão rebombou e um raio caiu junto ao menino. Então a índia-mãe disse: - É Tupã que se compadece de nós. Plantem os olhos de meu filho, que nascerá uma fruteira, que será a nossa felicidade. - Assim fizeram e dos olhos do menino nasceu o guaraná.

IARA
A Iara é uma personagem do folclore brasileiro. É uma sereia, pois da cintura para baixo ela é um peixe, e da cintura para cima tem o corpo de mulher.
É uma personagem que vive no fundo do rio Amazonas, e seu nome é de origem indígena, significando “aquela que vive na água”.
Conta a lenda que Iara é considerada a mãe d’água, e que a mesma encanta os pescadores por sua beleza. É morena, índia, com cabelos castanhos e longos, cobrindo seus seios, que ficam à mostra.
Como toda lenda, a história da Iara também tem seu lado fantasioso, inventado pelos homens.
Nas noites de lua cheia ela torna-se conquistadora, atraindo os pescadores, exibindo-se para eles, desvendando seu corpo de sereia. Também usa do seu canto para deixá-los meio hipnotizados. Dessa forma, faz com que eles a acompanhem até o fundo do rio.
Dizem que a Iara atrai os homens para se casar com eles, mas os mesmos morrem nas profundezas do rio.
Os índios acreditam tanto nessa lenda que ao entardecer evitam ficar próximos às margens dos rios.

VITÓRIA RÉGIA
Segundo a lenda indígena da Vitória Régia, tudo começou quando uma índia chamada Naiá descobriu que a lua transformava moças em estrelas.

A cultura indígena diz que a lua (guerreiro forte), ao se esconder por detrás das montanhas, levava para si as moças de sua preferência e as transformavam em estrelas.

Na esperança de virar uma estrela, a índia perseguia a lua, subindo e descendo as montanhas, nas proximidades de sua tribo, tupi-guarani. Mas a lua nada fazia com Naiá, nem a levava nem a transformava em estrela.
Em uma noite de lua cheia, ao ver a imagem da lua refletida sobre as águas de um riacho, a índia se atirou sobre a imagem, acreditando que o guerreiro a estava chamando. Com isso, se afogou e nunca mais foi vista por ninguém.

Em homenagem à índia, os integrantes de sua tribo passaram a acreditar que as flores que nasciam na Vitória Régia significavam o renascer de Naiá. Por isso, a planta é também conhecida como “estrela das águas”, em homenagem à índia. E suas flores, que são brancas, só se abrem à noite para serem iluminadas pela luz da lua.

A LENDA DA MANDIOCA
A mandioca é uma raiz amidosa, muito volumosa, usada para fazer um especial tipo de farinha. A farinha da mandioca faz parte da comida diária dos nativos da Amazonia, e é usada só ou acompanhada de arroz, batata, milho, e como acompanhamento para peixe, carne ou feijão.
Esta raiz possui um forte veneno, cianide que precisa ser eliminado durante a preparação da farinha. Isto é feito durante o cozimento ou fermentação da raiz. A massa obtida é tostada e está pronta para armazenagem.
Em épocas remotas, a filha de um poderoso tuxaua foi expulsa de sua tribo e foi viver em uma velha cabana distante por ter engravidado misteriosamente. Parentes longíquos iam levar-lhe comida para seu sustento, e assim a índia viveu até dar a luz a uma linda menina, muito branca, o qual chamou de Mani.
A notícia do nascimento se espalhou por todas as aldeias e fez o grande chefe tuxaua esquecer as dores e rancores e cruzar os rios para ver sua filha. O novo avô se rendeu aos encantos da linda criança a qual se tornou muito amada por todos.
No entanto, ao completar três anos, Mani morreu de forma também misteriosa, sem nunca ter adoecido. A mãe ficou desolada e enterrou a filha perto da cabana onde vivia e sobre ela derramou seu pranto por horas.
Mesmo com os olhos cansados e cheios de lágrimas ela viu brotar de lá uma planta que cresceu rápida e fresca. Todos vieram ver a planta miraculosa que mostrava raízes grossas e brancas em forma de chifre, e todos queriam prová-la em honra daquela criança que tanto amavam.
Desde então a mandioca passou a ser um excelente alimento para os índios e se tornou um importante alimento em toda a região.
Mandi = Mani, nome da criança. oca = aca, semelhante a um chifre.

COMO SURGIRAM AS ESTRELAS
Era um tempo de grande seca para as tribos e não havia alimento. As índias reunidas saíram em busca de comida para os maridos e os filhos.
Procuraram por todo o lugar, mas não viam caça, nem fruto, nem nada para comer. Então resolveram levar junto um grupo de curumins para darem sorte.
E deu certo. Logo acharam um grande milharal em que as espigas não haviam sido atingidas totalmente pela seca. Ali, puderam encher os cestos com espigas amarelinhas.
Os curumins também ajudaram a colher o milho, mas ficaram com fome e voltaram antes para tribo, carregando uma boa parte.
Na tribo, pediram para a avó fazer um bolo. Ela fez e não demorou a comerem tudinho. Só ficaram as migalhas que os pássaros devoraram.
Quando terminaram ficaram com vergonha. Como podiam ter comido tudo sozinhos quando todos estavam com fome?
Com medo de que as mães os repreendessem, eles trataram de fugir. Pediram para o colibri que amarrasse no céu o maior cipó que encontrasse, e por ele começaram a subir.
Quando notaram o sumiço dos curumins, as índias ficaram preocupadas e voltaram correndo para a tribo. Quando chegaram, viram os curumins subindo o cipó.
Assustadas, elas começaram a subir também os cipós para salvar os curumins, mas eles estavam cada vez mais alto.
O cipó não era forte e rompeu com o peso. As índias caíram no chão, transformando-se em onças. Os curumins, que já estavam no céu, não conseguiram mais voltar.
Assim, durante a noite, da tribo, quem olhasse para o céu ainda podia ver os pontinhos brilhantes dos olhinhos dos curumins, transformados em grandes estrelas.

COMO SURGIU A LUA
Vivia numa tribo uma cobra enorme, a Boiúna Capei, que aterrorizava os índios.
Para que a Boiúna não atacasse os índios, o cacique prometeu que lhe daria sua filha Naipi em casamento. Naipi era uma jovem formosa e de bom coração.
Naipi queria salvar a tribo, mas na verdade era apaixonada por Titçatê, um valente guerreiro.
Quando estavam juntos, até a natureza comemorava, tão grande era o amor um pelo outro.
Quando chegou o momento de Naipi ser entregue à Boiúna, ela rompeu em pranto e, de joelhos, suplicou ao pai que não a levasse.
Titçatê, cheio de coragem, colocou-se à frente da cobra gigante, empunhando arco e flecha.
Vendo que era rejeitada pela formosa índia, Boiúna ficou furiosa e usou seus poderes para transformar a moça numa cachoeira chorosa.
O guerreiro foi transformado numa linda planta de flores roxas, que ficou boiando sobre a água.
Vendo a forma como fora destruído o amor dos dois jovens, os outros índios encheram-se de coragem e atacaram Boiúna, arrancando-lhe a cabeça.
Como castigo por sua maldade, Tupã ordenou que a imensa cabeça da cobra fosse pendurada no céu durante a noite e, na forma de Lua, ficasse a iluminar o amor de Naipi e Titçatê.

COMO SURGIU O FOGO
A única fonte de calor no inicio do mundo era o sol. Os homens não podiam se defender do frio, e os alimentos eram comidos crus.
Só MINARÃ, um índio de raça estranha, conhecia os segredos do fogo e os guardava só para si.
A cabana de MINARÃ, onde o fogo era guardado sempre aceso, era vigiada por sua filha LARAVI.
Para descobrir o segredo do fogo, um caingangue, chamado FIIETÓ, se transformou em gralha branca e voou até a cabana de LARAVI.
Como LARAVI estava tomando banho nas águas do rio, a gralha caiu na água e se deixou levar pela correnteza.
A jovem índia pegou a gralha e a levou para dentro da cabana, colocando-a ao lado do fogo para que secasse as penas.
Quando estava com as penas secas, a gralha roubou um carvão em brasa e fugiu. MINARÃ perseguiu FIIETÓ, mas não conseguiu pegá-lo porque ele se escondera numa caverna.
Quando saiu do esconderijo, FIIETÓ, ainda feito gralha, voou até um pinheiro e incendiou um ramo de sapé com a brasa.
Depois, voltou voando para sua aldeia, levando o ramo no bico.
Com o vento, o fogo se espalhou pelo campo e durante muitos dias a mata ardeu em chamas.
Vendo o incêndio, índios de todas as tribos foram buscar brasas e ramos incendiados e levaram para suas casas, passando a usar o fogo.

Fonte: Cultura Popular.

3 comentários:

  1. Quais os principais personagens da lenta lagrimas de potira

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  2. qual o narrador das lagrimas de potira

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  3. não gostei queria resumo

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