quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

ATIVIDADES PARA FÉRIAS /ALUNOS DO TERCEIRO ANO





ATIVIDADES PARA FÉRIAS /ALUNOS DO TERCEIRO ANO

1.Resolva as questões e arme os cálculos:


a) 243 x 2 =


b) 221 x 3 =


c) 323 x 5=


d) 130 x 4=




2. Efetue as divisões, fazendo as continhas:


a) 48 ÷4= ___________


b) 33 ÷3= ___________


c) 84 ÷4= ___________


d) 72 ÷2= ___________


e) 95 ÷5= ___________


Retrocesso


O visitante estranhou porque, quando o levaram para conhecer a sala de aula do futuro, não havia uma professora-robô, mas duas. A única diferença entre as duas era que uma era feita totalmente de plástico e fibra de vidro — fora, claro, a tela do seu visor e seus componentes eletrônicos —, e a outra era acolchoada. Uma falava com as crianças com sua voz metálica e mostrava figuras, números e cenas coloridas no seu visor, e a outra ficava quieta num canto. Uma comandava a sala, tinha resposta para tudo e centralizava toda a atenção dos alunos, que pareciam conviver muito bem com a sua presença dinâmica, a outra dava a impressão de estar esquecida ali, como uma experiência errada.

O visitante acompanhou, fascinado, uma aula como ela seria num futuro em que o computador tivesse substituído o professor. O entendimento entre a máquina e as crianças era perfeito. A máquina falava com clareza e estava programada de acordo com métodos pedagógicos cientificamente testados durante anos. Quando não entendiam qualquer coisa as crianças sabiam exatamente que botões apertar para que a professora-robô repetisse a lição ou, em rápidos segundos, a reformulasse, para melhor compreensão. (As crianças do futuro já nascerão sabendo que botões apertar.)

Fantástico! — comentou o visitante.

Não é? — concordou o técnico, sorrindo com satisfação.

Foi quando uma das crianças, errando o botão, prendeu o dedo no teclado da professora-robô. Nada grave.


O teclado tinha sido cientificamente preparado para não oferecer qualquer risco aos dedos infantis. Mesmo assim, doeu, e a criança começou a chorar. Ao captar o som do choro nos seus sensores, a professora-robô desligou-se automaticamente. Exatamente ao mesmo tempo, o outro robô acendeu-se automaticamente. Dirigiu-se para a criança que chorava e a pegou no colo com os braços de imitação, embalando-a no seu colo acolchoado e dizendo palavras de carinho e conforto numa voz parecida com a do outro robô, só que bem menos metálica. Passada a crise, a criança, consolada e restabelecida, foi colocada no chão e retomou seu lugar entre as outras. A segunda professora-robô voltou para o seu canto e se desligou enquanto a primeira voltou à vida e à aula.

— Fantástico! — repetiu o visitante.

— Não é? — concordou o técnico, ainda mais satisfeito.

— Mas me diga uma coisa... — começou a dizer o visitante.

— Sim?

— Se entendi bem, o segundo robô só existe para fazer a parte mais, digamos, maternal do trabalho pedagógico, enquanto o primeiro faz a parte técnica.

— Exatamente.

— Não seria mais prático — sugeriu o visitante — reunir as duas funções num mesmo robô?

Imediatamente o visitante viu que tinha dito uma bobagem. O técnico sorriu com condescendência.

— Isso — explicou — seria um retrocesso.

— Por quê?

— Estaríamos de volta ao ser humano.

E o técnico sacudiu a cabeça, desanimado. Decididamente, o visitante não entendia de futuro.


(Luís Fernando Veríssimo. In Nova Escola. São Paulo. Abril, out. 1990. p. 19.)


I. Explorando o texto:

Responda de acordo com o texto:


a. Quais as características(ou qualidades)das professoras descritas no texto?

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b. Segundo o autor do texto, como seria a aula do futuro?_________________________

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c. Na aula do futuro, como agiriam os alunos quando tivessem alguma dúvida?_______

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d. O que aconteceu quando a criança machucou-se no teclado? ____________________

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e. Na sua opinião, qual a razão de ter duas professoras-robô para atender aos alunos?___

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f. A professora de plástico e fibra de vidro satisfazia que tipo de necessidade das crianças? Por quê?_______________________________________________________

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g. Qual era a função da professora acolchoada?_________________________________

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h. Na sua opinião, por que seria um retrocesso reunir todas as funções da professora numa máquina apenas?____________________________________________________

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3.História Matemática


Eduardo comprou um notebook e pagou em três prestações de 145 reais. Para saber quanto custa o notebook, Eduardo multiplicou esse valor por três. Quanto custou o notebook?


3 X 145 = ___________



OLHA A CARETA!
Evelyn Heine

Amanda era uma menina bonitinha.
Cheia de sardinha. Cabelo de trancinha.
Tão engraçadinha!
Mas foto dela, não tinha.
Na hora de tirar fotografia, só fazia estripulia.
Não ria.
Nem sorria.
Sabe o que é que aparecia?
Só careta! De todo jeito... Nariz torto, boca torta, só folia.
A cara mesmo, ninguém via.
O pai pedia:
– Risadinha, minha filha!
Aí ela estufava as bochechas o mais que podia. Ficava com cara de melancia.
A mãe dizia:
– Faz "X", filhinha!
Mas não fazia. Nem pra vovó, nem pra titia.
"Ninguém me manda", sacudia Amanda.
Mas um dia, um belo dia, a danadinha arranjou um namorado. E ele pediu uma foto. Pra guardar na carteira, com os adesivos de estimação, um chiclete e duas moedas.
– Xi... não tenho. – disse Amanda, desenxabida.
– Ora, então tira. – pediu o namorado.
– Não posso. – tristinha, disse ela...
– ...Agora estou banguela!


  1. Marque que tipo de texto é esse:

(...) poesia

(...) prosa ou narrativa

(...) adivinha

(...) texto informativo.


  1. Circule um nome próprio do texto e escreva aqui: ________________________


  1. Quais são as características da menina que o texto nos narra? __________________

_______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


  1. Segundo a poesia, porque Amanda não sorria para tirar fotografia? ____________

__________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


  1. Copie uma frase interrogativa do texto (onde apareça o ponto de interrogação). Por que esse ponto aparece no texto?

______________________________________________________________________________________________________________________________________ ______________________________________________________________________________________________________________________________________


  1. Por que aparece aspas (“ ”) no verso 19 do texto? Explique por que usamos esse sinal ao escrevermos.

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


  1. Separe as sílabas das palavras e classifique-as segundo ao número de sílabas

[monossílaba( 1 sílaba) , dissílaba (2 sílabas), trissílaba ( 3 sílabas) ou polissílaba (4 ou mais sílabas)] :


chiclete- ____________________________________________________________

bochechas- __________________________________________________________

chiclete- ____________________________________________________________

sorria- ______________________________________________________________


  1. Escreva as palavras conforme o singular e o plural:


___________________________________________________________________






___________________________________________________________________


  1. Agora crie frases exclamativas(com ponto de exclamação) com as figuras anteriores.


____________________________________________________________________________________________________________________________________________




Observe os desenhos:


ESCREVA COMO SE LÊ OS NÚMEROS CARDINAIS CONFORME O EXEMPLO:

100 – Cem 200- Duzentos 300- Trezentos..... 400- Quatrocentos

500- Quinhentos 600 Seiscentos......700-Setecentos... 800-Oitocentos

900- Novecentos


125 ____________________________________________________________

438 ___________________________________________________________

127 ____________________________________________________________

259- ___________________________________________________________

966- ___________________________________________________________

327- ___________________________________________________________

368- ___________________________________________________________

449- ___________________________________________________________

210- ___________________________________________________________

330-____________________________________________________________

748-____________________________________________________________


Encontre o resultado das adições abaixo:


a) 45 + 17+ 29=___________________________________


b) 36 +12 + 10 =______________________________


Arme, efetue e mostre que você é craque:


a) 217+53=_________


b) 614-64=_________


  1. 83+11+10=________


  1. 61+18+2=________


e) 18-14=_________


f) 122-16=_________


g) 234-33=_________


h) 59-15=__________


i) 66-19=__________



NOSSA SUPER NAVE ESPACIAL


DALMO DE SOUZA*

(UM DOS PAIS DA ALICE E DO JOÃO PAULO)


Imagine que você more em uma super nave espacial de chocolate, marshmallow e algodão doce. Você poderia comer sua casa!

Mas... Se você não tomasse cuidado, repondo cada vez que comesse uma parte, logo ficaria sem nave. e também deveria ter muito cuidado com o lixo que se formaria: papéis, restos de comida, cocôs. Arrrghhh! Imagina se não pudesse jogar isto tudo para fora da nave.

Pois saiba que o nosso planeta terra é uma linda nave espacial, girando ao redor do sol. E não podemos jogar a sujeira no espaço sideral. Conclusão: devemos cuidar muito bem de nossa nave.

Você já percebeu que nossa conversa é sobre lixo, reciclagem etc, não? Nós usamos produtos e disto tudo sempre sobra algum lixo. É natural, mas devemos nos perguntar: porque usamos os produtos? porque o lixo é formado? Por que isto é preocupante?

Primeiro devemos perceber que usamos os produtos porque temos necessidades, ou seja, a gente precisa de papel, de roupa, de cadeiras.

Segundo, devemos atentar que tudo isto custa dinheiro. Então podemos concluir: não devemos desperdiçar os produtos pois senão teremos que gastar mais dinheiro comprando a mesma coisa quando na verdade poderíamos usar este dinheiro para comprar outras coisas! diga não ao desperdício.

Depois, podemos imaginar que se nós não tomarmos cuidado com as coisas, tudo vira lixo. Estraga, fica sujo, fica feio, fica fedido. Isto polui o planeta. Existem lixos que não se desmancham e ficam por aí, zanzando pelo planeta por séculos. São exemplos os pneus, as sacolas plásticas e as pilhas. Portanto, devemos nos lembrar: sujar pouco e limpar o que se sujou!

Além disso tudo, é preciso imaginar que em tudo que existe e foi produzido foram utilizadas coisas do planeta para poder existir: o papel veio das árvores; os tecidos naturais são feitas a partir de lã de ovelhas, de plantas (por exemplo, algodão) ou de casulos de bichos da seda; os plásticos vieram de restos de dinossauros. Sim. É isto mesmo: seu brinquedo de plástico, um dia, pode ter sido um super Tiranossaurus Rex ou um Tricerátops.

Por fim, devemos ser inteligentes: devemos comprar o que realmente precisamos. Isto é valorizar o dinheiro, sem desperdiçá-lo. Devemos cuidar do que temos e restaurar se necessário, para podermos continuar usando. Devemos também re-utilizar as coisas: objetos e em especial os livros que não precisamos mais e que ainda são úteis devem ser repassados para que outras pessoas também possam se aproveitar deles. Isso é ser inteligente. Quando não for mais possível restaurar e re-utilizar as coisas, elas ainda podem ser recicladas. O que é possível reciclar deve ser reciclado, ou seja, ser transformado em coisas novas!

Coisas recicladas são produtos inteligentes: têm qualidade; custam menos; são socialmente corretos e ambientalmente sustentáveis porque poluem menos a terra e reduzem a quantidade de coisas que precisam ser retiradas de nosso planeta para nossos produtos serem fabricados.


VAMOS RESPONDER AS PERGUNTAS SOBRE O TEXTO:


1.Quem é o autor do texto?_______________________________ ________________________________________________________________________________________________________________________


2.Segundo o texto, do que são feitos os tecidos que usamos?________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


3.Segundo o autor, por quê coisas recicladas são produtos inteligentes?_____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


4. Escreva maneiras de como podemos ajudar a preservar a natureza:

________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

____________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________


Leia e faça um x na questão correta:


Q

LUA CHEIA


DA JANELA PINGO-DE-MAR VÊ A LUA.

É NOITE DE LUA CHEIA!

A CORUJA ESTÁ TODA CONTENTE.

AS NOITES DE LUA CHEIA SÃO SEMPRE MUITO ANIMADAS!

LOGO, LOGO, ELA VAI VOAR E CAÇAR.


Mary França & Eliardo França. Lua Cheia! São Paulo: Editora Ática,2006,p.1-2 (Fragmento)

uando e como se passa a história?


A -( ) Em noites de inverno que são sempre animadas.

B-( ) Em noites muito escuras quando a coruja fica contente.

C-( ) Em noites de lua cheia que são sempre animadas.

D-( ) Em noites de lua nova onde Pingo-de-mar vê fica na janela.

Risque o quadrinho que mostra para que serve esse texto.



Rafael,Venha comemorar comigo meu aniversário.Dia: 27de dezembro de 2011. Hora: 18:00Local: Rua Bento Gonçalves, 45.Você não pode faltar!

Alex



















A - ( ) Ensinar uma receita de bolo.

B- ( ) Enviar notícias entre amigos.

C- ( ) Fazer um convite.

D- ( ) Vender produto, no caso um bolo.



Gostei muito de estar este período com você!


domingo, 15 de janeiro de 2012

À sombra desta mangueira, de Paulo Freire.



SELEÇÃO DE FRASES E TÓPICOS DA OBRA



DE PAULO FREIRE






À sombra desta mangueira. 2a edição, Ed. Olho D’água, São Paulo, 1995, 120p.

ASSUNTO: SOLIDÃO – COMUNHÃO:

“Estar só tem sido ao longo da minha vida estar com. È interessante pensar agora o quanto sempre me foi importante, indispensável mesmo, estar com. Nunca me recolho como quem tem medo de companhia, como quem se basta a si mesmo, ou como quem se acha uma estranheza de mundo. Pelo contrário, recolhendo-me conheço melhor e reconheço minha finitude, minha indigência, que me inscrevem em permanente busca, inviável no isolamento. O isolamento só tem sentido quando, em vez de negar a comunhão, a confirma como um momento seu”. (p.17)

ASSUNTO: EDUCAÇÃO RESPOSTA-HISTÓRIA
“A educação da resposta não ajuda em nada a curiosidade indispensável ao processo cognitivo. Ao contrário, ela enfatiza a memorização mecânica de conteúdos. Só uma educação da pergunta aguça, estimula e reforça a curiosidade”. Não há erro da resposta em si, mas na ruptura entre ela e a pergunta, antes das perguntas provocadas já é dada a resposta, cortando a curiosidade. Para Freire “ter certeza, estar em dúvida, são formas de estar sendo”, construindo a história de cada um. (p.19)
- “Muito sonho possível ficou inviável pelo excesso de certeza de seus agentes, pelo voluntarismo com quem pretendiam moldar a História em vez de fazê-la com os outros, refazendo-se nesse processo. Se a história não é uma entidade superior que paira sobre nossas cabeças e nos possui, também não pode ser reduzida a objeto de nossa manipulação”. (p.21)
- Quanto mais nos enraizamos em nossa localidade, mais possibilidades hão de nos mundializar, pois não nos tornamos locais a partir do universal, ao contrário, partimos do local em rumo ao universo. O local onde o sujeito se fixa torna-se um espaço cultural, histórico, geográfico, de semelhanças e apego aos demais sujeitos de tal local. (p.26)
-”Servir à ordem dominante é o que fazem hoje intelectuais, ontem progressistas, que negando à prática educativa qualquer intenção desveladora, reduzem-na à pura transferência de conteúdos ‘suficientes’ para a vida feliz das gentes”. Consideram feliz a vida que se vive na adaptação ao mundo sem raivas, sem protestos, sem sonhos de transformação. O irônico nessa adesão, às vezes entusiástica, de antigos militantes progressistas, ao pragmatismo, está em que, acolhendo o que lhes parece novo, reencarnam fórmulas velhas, necessárias para preservar o poder das classes dominantes.
E fazem com ares de quem se acha atualizado, de quem supera ‘velharias ideológicas’. Falam da imperiosa necessidade de programas pedagógicos profissionalizantes mas desde que esvaziados de qualquer tentativa de compreensão crítica da sociedade. Esse discurso é feito em nome de posições progressistas! Contudo, ele é tão conservador quanto é falsamente progressista a prática educativa que nega o preparo técnico ao educando e trabalha apenas a politicidade da educação. O domínio técnico é tão importante para o profissional quanto à compreensão política o é para o cidadão. Não é possível separá-los... A Terra da gente envolve luta por sonhos diferentes, às vezes antagônicos, como os de suas classes sociais. Terra não é, afinal, uma abstração”. (p.27 e 28).

ASSUNTO: ESPERANÇA: (p.28,29)
Paulo Freire comenta que o futuro não virá se não falamos dele ao mesmo tempo que o fazemos. O futuro existe como uma necessidade da História e implica sua continuidade. “A educação que se precisa hoje não tem nada que ver como um sonho, utopias, conscientização e sim com a formação técnica, científica, profissional do educando” foram as frases utilizadas por alguns militantes de esquerda, que diziam que Paulo Freire já não tem sentido. Mas na verdade, a despolitização da educação foi sempre algo de interesse dominante, para que a educação precise tanto da forma técnica, científica quanto da esperança e de melhores perspectivas.
É possível não ser um sujeito passivo às conseqüências da globalização, apenas aceitando as ordens dominantes nessa luta desigual contra os excluídos do planeta, lendo os contextos e o mundo, e não apenas aceitando aquela prática educativa de “leitura da palavra e de texto”.
p.30 A esperança é condicionada às possibilidades de concretização ou não. “A esperança na libertação não significa já a libertação. È preciso lutar por ela, dentro de condições historicamente favoráveis. Se elas não existem, temos de planejar esperançadamente para criá-las. A libertação é possibilidade, não sina, nem destino, nem fado. Nesse contexto, se percebe a importância da educação da decisão, da opção, da ética, afinal”.
Quanto mais submetidos e menos podendo sonhar com a liberdade, menos o ser humano poderá enfrentar seus desafios, e menos perspectivas utópicas haverão em relação ao futuro, e a Educação passa a serviço da dominação, sem provocar o pensamento crítico e dialético, estimulando o pensar ingênuo sobre o mundo.
FOME:
p.31: “minha compreensão da fome não é dicionária: ao reconhecer a significação da palavra, devo conhecer as razões de ser do fenômeno. Se não posso ficar indiferente à dor de quem tem fome, também não posso sugerir-lhe que sua situação se deve à vontade de Deus. Isso é mentira”.
POLÍTICA:
p.32-33 “A perspectiva neoliberal reforça a pseudo- neutralidade da prática educativa, reduzindo-a a transferência de conteúdos aos educandos, a quem não se exige que os apreendam para que os aprendam, Essa “neutralidade” fundamenta a redução da formação do torneio em simples treino de técnicas e procedimentos no domínio do torno. Toda prática educativa que vá além disso, que evite a dicotomia leitura do mundo/ leitura da palavra, leitura do texto/leitura do contexto, perde o aval da pedagogia e se transforma em mera ideologia. Mais ainda: em palavra inadequada ao momento atual, sem classes sociais, sem conflitos, sem sonhos, sem utopias.
Tal separação ideológica entre texto e contexto, entre objeto e suas razões de ser implica erro lamentável, envolve uma castração da curiosidade epistemológica dos educandos. Por isso, ao aceitar mais educação para a classe trabalhadora, a classe dominante esbarra em seu limite. Por mais progressista e democrático, o empresário estará sempre limitado pelos interesses de sua classe social. Se o empresário ultrapassar esse limite e aceitar uma educação progressista, terminará por trabalhar contra si próprio. É possível que algum empresário se aventure em tal “conversão”; a classe, em seu conjunto, não. A História ainda não registrou nenhum suicídio de classe”.

p.38: “Em lugar de converter-me ao centro e eventualmente ganhar o poder, como progressista prefiro abraçar a pedagogia democrática e, sem saber quando, com as classes populares alcançar o poder para reinventá-lo”.
p.39: “As sociedades não se constituem pelo fado de ser isso ou aquilo; não têm o destino de serem pouco sérias ou exemplos de honradez. Sociedades não são, estão sendo o que delas fazemos na História, como possibilidade. Daí a nossa responsabilidade ética”.

p.41: “Neoliberais e progressistas concordamos com a exigência atual que faz a tecnologia. Mas divergimos frontalmente na resposta pedagógico- política a ser dada”.

p.40 ÉTICA: “Na compreensão da História como possibilidade, o amanhã é problemático. Para que ele venha é preciso que o construamos mediante a transformação do hoje. Há possibilidades para diferentes amanhãs. A luta já não se reduz a retardar o que virá ou a assegurar a sua chegada; é preciso reinventar o mundo. A educação é indispensável nessa reinvenção. Assumirmo-nos como sujeitos e objetos da História nos torna seres da decisão, da ruptura. Seres éticos”.




QUALIDADE E EVASÃO

p.46 “A elevação urgente da qualidade de nossa educação passa pelo respeito aos educadores e educadoras mediante substantiva melhora de seus salários, pela sua formação permanente e reformulação dos cursos de magistério”. Tudo isso implica a indispensável participação das universidades brasileiras, já que essa tarefa formadora não se restringe às Faculdades de Educação. Foi o que fizemos, minha equipe e eu, quando secretário de Educação da cidade de São Paulo. Conversei longamente com os reitores da PUC, Unicamp e USP e depois assinamos convênios. Contamos com a ajuda de ling6uistas, arte- educadores, professores de língua portuguesa, físicos, matemáticos, especialistas em informática, filósofos, especialistas em teoria do currículo, em formação sexual...
Um dos problemas cruciais da educação brasileira-erroneamente chamado de evasão escolar, na verdade expulsão escolar-é político-ideológico. Sua solução passa pela formação do educador e implica uma compreensão política e ideológica da linguagem que o capacite a perceber o caráter de classe da fala. Os alarmantes índices de reprovação nas turmas de alfabetização relacionam-se ao despreparo científico dos educadores e educadoras e, também à ideologia elitista que discrimina meninos e meninas populares. Daí se explica, em parte, o descaso da escola pela identidade cultural dos educandos, o desrespeito pela sintaxe popular, a quase nenhuma atenção pelos conhecimentos feitos de experiência, que os educandos trazem em sua bagagem”.

p.47... ”Não temos por que nos arrepender da nossa insistência para que a escola pública se tornasse popular e democrática, isto é, menos autoritária e elitista”.

p.50 “Precisamos democraticamente derrotar é gente como esta, que pensa primeiro em si, segundo em si e nunca nos outros, sobretudo se estes pertencem às classes populares”.


JOVEM /VELHO




p.56E 57 “ Os critérios de avaliação da idade, da juventude ou da velhice, não podem ser os do calendário. Ninguém é velho só porque nasceu há muito tempo ou jovem porque nasceu há pouco. Somos velhos ou moços muito mais em função de como pensamos o mundo, da disponibilidade com que nos damos curiosos ao saber, cuja procura jamais nos cansa e cujo achado jamais nos deixa imovelmente satisfeitos. Somos moços ou velhos muito maiôs em função da vivacidade, da esperança com que estamos sempre prontos a começar tudo de novo e o que fizemos continua a encarnar sonho nosso, sonho eticamente válido e politicamente necessário. Somos moços ou velhos se nos inclinarmos ou não a aceitar a mudança como sinal de vida e não a paralisação como sinal de morte.
Somos moços na medida em que, lutando, vamos superando os preconceitos. Somos velhos se, apesar de termos apenas 22 anos, arrogantemente desprezamos os outros e o mundo. Vamos ficando velhos na medida em que, despercebidamente, recusamos a novidade como argumento de que “no meu tempo era melhor”. O melhor tempo para o jovem de 22 ou de 70 anos é o tempo que se vive. É vivendo o tempo como melhor possa, que o vivo jovem... Envelhecemos quando, reconhecendo a importância que temos em nosso meio, pensamos que ela deve a nós mesmos, que ela se constitui em nós e não nas relações entre nós, os outros e o mundo.
O orgulho e a auto-suficiência nos envelhecem; só na humildade me abro à convivência em que ajudo e sou ajudado. Não me faço só, nem faço as coisas só. Faço-me com os outros e com eles faço coisas.
Tão mais juventude tenham o educador e a educadora quanto mais possibilidade terão de se comunicar com a juventude com quem, de um lado se ajudam a manter-se jovens e a quem de outro se ajudam a não perder a juventude.
...Somos falsamente jovens quando assumimos uma postura irresponsável em face do risco. Quando nos arriscamos pelo puro gosto do risco. O risco só tem sentido quando o corro por uma razão valiosa, um ideal, um sonho mais além do risco mesmo.
Há uma forma horrível de envelhecer: contrapor-se às necessárias mudanças políticas, econômicas e sociais, sem as quais não se superam injustiças. Mas não há juventude que não envelheça rapidamente na tentativa impossível de imobilizar a História, que é reacionarismo. Reacionarismo e juventude são tão incompatíveis quanto defender a vida com medo da liberdade, uma forma de negar a vida”.

SERIEDADE E ALEGRIA




P.72 “ Só para a mente autoritária o ato educativo é tarefa enfadonha. Para educadores e educadoras democráticos o ato de ensinar, de aprender, de estudar são que fazeres democráticos o ato de ensinar, de aprender, de estudar são que-fazeres exigentes, sérios, que não apenas provocam contentamento, mas que em si já são alegres.
A satisfação com que se põe em face dos alunos, a segurança com que lhes fala, a abertura com que os ouve, a justiça com que lida com seus problemas fazem do educador democrata modelo...”
p.73 “ Precisamos hoje no Brasil, talvez mais do que ontem de uma prática educativa exemplarmente democrática. Precisamos de campanhas realizadas, por exemplo, através de semanas de estudos da democracia em escolas públicas, privadas, universidades, escolas técnicas e sindicatos. Campanhas que encharcassem as cidades de democracia. Semanas em que se apresentasse a história da democracia. Semanas em que se apresentasse a história da democracia, em que se debatesses a relação entre democracia e ética, e classes populares, e economia. Eleições, direitos e deveres que elas implicam. Inexperiência democrática brasileira. Democracia e tolerância. Gosto da liberdade e democracia; forças inconciliavelmente contraditórias; forças conciliavelmente diferentes; unidade na diversidade.
Não que, de repente, eu pense que democracia se ensina e se aprende por meio de discursos: aprende-se e se ensina democracia. Mas é possível e necessário discutir a presença ou a ausência da prática democrática, as razões de ser, por exemplo, da nossa inexperiência democrática”.



DIALOGICIDADE
p.81... “ É que há um diálogo invisível, prévio, em que não necessito de inventar perguntas ou fabricar respostas. Os educadores verdadeiramente democráticos não estão-são dialógicos. Uma de suas tarefas substantivas em nossa sociedade é gestar esse clima dialógico”.



POLÍTICA
p.82 “ A afirmação ‘as coisas são assim porque não podem ser de outra maneira’ é um dos muitos instrumentos dos dominantes com que tentam abortar a resistência dos dominados. Quanto mais anestesiados historicamente, quanto mais fatalistamente imersos na realidade impossível de ser tocada, que dirá transformada, tanto menos futuro temos. A esperança se pulveriza no imobilidade de um presente esmagador, uma espécie de ponto final além do qual é possível.” (Paulo Freire, Pedagogia da Esperança)
p.88 “ Na verdade, regime de exceção nunca foi introdução à democracia. No tempo transcorrido desde que começamos a transição do autoritarismo à democracia, nos obstáculos enfrentados, sentíamos o risco de a esperança de esvair. Transição que agora termina e a partir de agora já não temos motivo para falar nela. De agora em diante, temos é que consolidar a democracia, respaldar suas instituições, assegurar o retorno do país ao desenvolvimento, ao equilíbrio da economia com que enfrentamos problemas sociais que nos afligem. Em aliança com a direita jamais faremos isso”.

(Consultar Ana Maria A. Freire, Analfabetismo no Brasil, 2ª edição revista e aumentada, São Paulo, Cortez, 1993).






Flávia G. Fernandes

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Poesia Gaúcha: Brinco de Cigana








Brinco de Cigana

Pensamentos no ar...
Sabia que os colocaria mais e mais
Pensando intensamente
A cada segundo
E a cada sentido

Mas sei lá...
Tive que tragar meus pensamentos
E dar uma fugidinha
Saí pensando em quando vou te encontrar?
E a fundo de me apaixonar?


Sou mulher,
Linda e forte!
Ás vezes me sinto menos...
Como um girassol que precisa de um sol
Típico da leonina guerreira e sensível.

Por amor sou capaz de tudo,
O problema é me apaixonar.
Será que não nasci para o amor?
Ou será que ainda não aprendi a amar?


Como diz o Ira “Ciganos do Amor”
Mas não quero mais um amor virtual
Nem um amor semanal
Mas um amor pra sempre
Será que existe?

Acho que sim
Mas não me dei ao desfrute
Fujo dele como se me fizesse sofrer
Herança psicossocial?
Com algo mais...


Cigana do amor
Em busca de pátria,
De residência fixa
De se despir dos vários eus
E ainda continuar se amando, amando e sendo amada...

É beleza como a flor tal pensamento
A flor que denominei “Brinco de Cigana”
Que na verdade é de Princesa aqui no Sul
Mas não sei porque ...ou sei...
Mudei de nome!

Agora deslizo nesse teclado
Como se colocasse tudo para fora
A minha maior sensibilidade
E o meu maior desejo

Porque tenho tantos medos?
Porque tenho medo de amar?
Freud explica mas complica
Quero uma fórmula mágica
Uma varinha de condão que me deixe amar nua
De todo o sofrimento.


Como diz no livro o Corpo Fala,
Quando acariciamos um bichinho
Na verdade dizemos com o corpo:
“Quero amar”
e eu quero amar...


Amar sem medos
Com a beleza de uma cigana
E daquela flor linda
Que adorna cabelos e arranjos
Que enfeita casas e jardins...


Sou brinco de cigana
Que parece estar caidinha
Mas essa é uma diferença:
Servir de brinco,
Ser vista para quem sabe olhar para cima,
E não se contenta
Com o que está apenas em baixo dos olhos.



Flávia Garcia Fernandes
Ijuí, 29 de dezembro de 2005.






Obs: A flor "Brinco de Princesa" ou "Brinco de Cigana" é uma dos símbolos do Estado do Rio Grande do Sul.

sábado, 7 de janeiro de 2012

A produção do fracasso escolar





Resenha do livro "A produção do fracasso escolar" de Maria Helena Souza Patto.

CAPÍTULO II. O modo capitalista de pensar a escolaridade: anotações sobre o caso brasileiro

Fracasso escolar dados sobre a pré-história de uma explicação








Primeira República e liberalismo: já no início de 1889 nasce patrocínio intelectual ao liberalismo.
A educação escolar era privilégio de pouquíssimos, menos de 3 % da população freqüentava a escola e 90% da população adulta era analfabeta. O período de 1889 a 1930 foi de vigência de uma República oligárquica.
Em 1930, ano do acaso da primeira República, o crescimento da rede pública de ensino era inexpressivo em comparação com as estatísticas referentes ao império e o país possuía cerca de 75% de analfabetos. Até esse ano não dispúnhamos de um sistema de educação popular.
Com o movimento da Escola Nova, que refletiu a sua eficiência, e escolhia a idéia de democracia e localizava os métodos de ensino, reconhecendo a especificidade psicológica da criança.
Os percursos da Escola Nova preocupavam-se com os indivíduos no processo de aprendizagem somente na medida em que atentar para os processos individuais, tentando desenvolver ao máximo as potencialidades humanas dos educandos.


A pedagogia Nova e a psicologia científica nasceram imbuídas do espírito liberal e propôs-se a identificar e promover os mais capazes, independentemente de suas origens étnicas e sociais.
Nessa época, no Brasil o pensamento preconceituoso contra o negro, mestiço, índio, de possuírem inteligência inferior, personalidade selvagem.

Causas do fracasso escolar

-Má qualidade do corpo docente, de quem se cobra vocação (e só secundariamente preparo pedagógico), dom e aquele “fogo sagrado” de realizar milagres em quaisquer situações.
-Política nacional que insiste em destinas ao primeiro ano professores sem a necessária motivação e vocação que a alfabetização exige.
-Para se ter um ensino de boa qualidade há necessidade de um professor interessado e bem formado, que leve em conta as especificidades do alunado (experiência culturais) faixa etária, garantindo a eficiência da escola.
Até o inicio dos anos 60 as causas do fracasso escolar serão buscadas no aluno. Consolidando a teoria da carência cultural.
Nos anos 70 se aceita no Brasil a explicação de que o fracasso escolar das crianças das classes subalternas é compreensível por vários motivos:
Sociedade não negadora do capitalismo;
Vinha ao encontro a crenças na cultura a respeito da incapacidade de pobres, negros e mestiços, reforçando o subdesenvolvimento econômico do país, explicado também por uma indigência cultural e intelectual, cuja revisão era proclamada ao “milagre brasileiro”.
Ressaltando a pobreza e miséria atraindo a atenção de educadores sensíveis aos problemas de desigualdades sociais, mas pouco instrumentados teoricamente, em decorrência de sua formação intelectual para fazer a critica desse discurso ideológico.
Outro fator importante é sobre a falta de interesse na freqüência das escolas é falta de necessidade vista pela comunidade, indiferença de classes populares.Em muitos artigos de revistas dos anos 70 presenciamos estereótipos e preconceitos em relação aos integrantes dos segmentos mais empobrecidos das classes subalternas. Sugerem que a passagem da defesa nominal da igualdade de oportunidades educacionais para medidas educacionais concretas.

O fracasso escolar como objeto de estudo

O advento dos sistemas nacional de ensino se deu pelo nacionalismo, obra da burguesia de 1789 que defendendo um regime constitucional, acreditava estar sendo porta-voz dos interesses do povo tomando como sinônimo de nação.
Em sentido escrito, uma política educacional, tem início no século XIX e decorre de três vertentes de visão de mundo dominante na nova ordem social: de um lado, a crença no poder da razão e da ciência, legado do iluminismo, de outro, o projeto liberal de um mundo aonde a igualdade de oportunidade viesse a substituir a desigualdade baseada na herança familiar, e a luta pela consolidação dos estados nacionais empregados na política européia no século XIX.
A ideologia nacionalista parece ter sido a principal propulsora de uma política mais ofensiva de implantações de redes publicas de ensino em partes da Europa e América do Norte nas últimas décadas do século XIX.
Cria-se na chegada de uma vida social igualitária, mas não existia uma efetiva política educacional, pouca qualificação de mão-de-obra no advento do capitalismo e alternativas para supri-las; a desnecessidade de adicionar a escola enquanto aparto ideológico nos anos que seguem à Revolução Francesa, até pelo o final da primeira metade dos oitocentos, as pressões inexpressivas das classes populares por escolarização nos primeiros anos da nova ordem social e a própria marcha do nacionalismo.
De 1780 até pelo menos 1870, a escola foi uma instituição necessária à qualificação das classes populares para o trabalho que movia os setores primário e secundário da economia capitalista.
As questões da adequação da classe de trabalhadores às novas condições de trabalho (relacionando a indústria) eram resolvida por outros meios que não a escola , o trabalhador recebia treinamento na fábrica, tendo essa função escolar.
A precária rede de ensino público fundamental da primeira metade do século XIX tece a função social de preparar funcionários de baixo e médio escalão para o desenvolvimento do estado moderno, já que a maioria fazia trabalhos braçais.

As teorias crítico-reprodutivistas e a pesquisa do fracasso escolar.

A teoria da carência cultural introduzia a possibilidade de se pensar o papel da escola no âmbito de uma concepção crítica de sociedade, fornecendo ferramentas conceituais para o último das instituições sociais enquanto lugares nos quais se exerce a dominação cultural, a ideologização a serviço da reprodução; na escola, o embaçamento da visão da exploração seria produzido, segundo essa teoria, pela vinculação de conteúdos ideologicamente visados e do privilegiamento de estilos de pensamento e de linguagem características dos integrantes das classes dominantes, o que faria do sistema de ensino instrumento a serviço da manutenção dos privilégios educacionais e profissionais dos que têm o poder econômico e o capital cultural.





Três afirmações se fazem presente nas publicações recentes precisando ser questionadas:





1.As dificuldades de aprendizagem escolar da criança pobre decorrem de suas condições de vida.
2.A escola pública é uma escola adequada às crianças de classe média e o professor tende agir, em sala de aula, tendo em mente um aluno ideal.
3.Os professores não entendem ou discriminam seus alunos de classe baixa por terem pouca sensibilidade e grande falta de conhecimento a respeito dos padrões culturais dos alunos pobres, em função de sua condição de classe média.
-A vida na escola: verso e reverso da racionalidade burocrática.
-A teoria e a pesquisa.

O maior desafio que se coloca ao pesquisador da escola hoje, segundo Maria Helena Patto, é o de repensar seus pontos de referencia teorico-metodológicos, pois as reflexões sobre a educação escolar no país vislumbrou novas possibilidades de conceber a escola numa sociedade de classe.
A partir de então a representação dominante da escola como instituição social a serviço da ascensão social dos mais capazes, pode ser superada por um conceito de escola como instituição reprodutora das desigualdades sociais geradas no nível da divisão e da organização do trabalho.

Para Agnes Heller, segundo a autora o preconceito é um juízo falso.Individualidade para referir-se ao indivíduo que tem liberdade (sempre relativa) de fazer escolhas.
O preconceito tem como componente afetivo à fé, um dos afetos que pode nos ligar a uma opinião, visão ou convicção. Seu limite é as intolerâncias emocionais, ligadas à satisfação de necessidades da particularidade.

Agnes Heller, pensadora húngara radicada na Austrália, nascida em 1929, discípula de Luckás, elabora uma teoria que redefine o sujeito, o lugar e as estratégias da transformação social negadora da sociedade de classe. De acordo com sua análise, ora a classe operária comparece nessa obra, como autora da história, ora as contradições inerentes à formação capitalista são tomadas como seu motor.






Heller relata que Marx contém uma contradição particular: por um lado construiu filosoficamente o sujeito da revolução, ou seja, formulou a hipótese de uma classe que, necessariamente, enquanto classe, através de um processo revolucionário, liberta toda a humanidade. Por outro lado, descreveu a sociedade capitalista de modo a demonstrar que as leis econômicas conduzem uma revolução histórico social. Esta contradição interna gerou, a seu ver categorias teóricas opostas no próprio pensamento marxista: há os que deixam de lado a questão do sujeito e se voltam para a objetividade das leis do desenvolvimento econômico e outros que desenvolvem o mito da classe operária e ignoram a critica da economia, considerando irrelevante.





Para ela ainda, os preconceitos, têm a função de consolidar e manter a estabilidade de integrações sociais. A maior parte deles é produto da classe dominante que se interessa em manter a coesão de uma estrutura social, graças também a mobilização, através de preconceitos, dos que representam interesses diversos ou até mesmo antagônicos, conseguindo mobilizar as camadas sociais contra os interesses de sua própria classe.







As relações sociais degradam-se à medida que os sistemas funcionais da sociedade vão-se estereotipando e os comportamentos convertem-se em papéis.
Há necessidade de ressaltar a importância da subjetividade, da história de vida e da unidade das pessoas no contexto social.O cotidiano é palco da bebeldia, revolução e dominação e não existe submissão total, pois na realidade o homem não é infinitamente manipulável.
A história recente das pesquisas educacionais no Brasil tentam superar formas tradicionais de investigar a questão da escolarização das classes subalternas, “à medida que muda a base histórica. Há uma tendência de abandono da quantificação em nome de procedimentos não estatísticos e qualitativos de coleta e análise de dados, como se desse garantia do caráter não positivista da metodologia”.
A forma de observar bem é ir formulando as hipóteses de observar, entrevistar, associar idéias, imagens, sentimentos e registros que o pesquisador trará para dentro da pesquisa refletindo os significados sobre a investigação.
A partir de 1964 a educação escolar brasileira foi alvo de uma multiplicidade de leis, decretos, pareceres, portarias, entre essas a lei 5.692 que, em 1971 reformou a LDB (lei 4.024), que dez anos antes, fixou as diretrizes e bases da educação nacional.
Foi expandidas a escolaridade obrigatória e gratuidade de quatro para oito anos, deu a ação educativa uma direção profissionalizante, visando maior eficiência e produtividade, mas infelizmente na realidade esteve distante da realidade.
A política educacional no sentido estrito começou a ser praticada no Brasil nos anos 30, junto com a aceleração do processo de industrialização capitalista conduzidos por princípios da liberal democracia e nacionalismo.
A burocratização das instituições sociais aumenta á medida que o país se desenvolve no processo industrial urbano.O primeiro Ministério da Educação é criado em 1930, tornando-se um elo social burocrático, ligado ao ideal de progresso.
A partir de 1964, em nome da eficiência e da produtividade do sistema, desdobra-se a hierarquia e aumenta a burocracia, permitindo que a educação atinja finalidades políticas sob a aparência de neutralidade, e se criam condições para a improdutividade do sistema escolar.Inclui-se reforma do ensino: garantir a continuidade estrutura social e do modelo econômico introduzindo uma descontinuidade no plano político, onde uma ideologia nacionalista colocava em risco um capital de mercado consolidado no Brasil.
Foi finalizada do ângulo dos interesses das classes dominantes e de seu poder constituído.

Disciplina

Foucault (1977) detém-se na análise das “disciplinas”enquanto conjunto de “métodos que permitem o controle minucioso das operações do corpo e que realizam a sujeição de constante de suas forças e lhe impõe uma relação de docilidade-utilidade.Distingue esses métodos de outras formas de dominação, que além do aumento das habilidades do corpo humanos e sua sujeição formam uma relação mais obediente e útil.Através da “militarização insidiosa” das instituições sociais, entre as quais se incluía a escola, nasce a partir da segunda metade do século XVIII uma microfísica do poder que permite que se tenha “domínio sobre os corpos dos outros não simplesmente para que façam o que se quer, mas para que operem como se quer, segundo a rapidez, eficácia e técnicas que se determinam.
A disciplina para Foucault fabrica corpus submissos e exercitados, “corpos dóceis”.Aumenta as forças do corpo( em termos econômicos) e diminui essas mesmas forças (em políticos de obediência)
O controle disciplinar não consiste apenas em ensinar ou impor uma série de gestos definidos,impõem a melhor relação entre o gesto e a atitude de rapidez.
No bom emprego do corpo, que permite um bom emprego do tempo,nada deve ficar ocioso ou útil, deve ser chamado a formar o suporte do ato requerido.Um corpo bem disciplinado forma o contexto de realização do domínio do gesto.

Reflexões sobre a política educacional

As explicações do fracasso escolar baseadas nas teorias do déficit e da diferença cultural precisam ser revistas a partir do conhecimento dos mecanismos escolares produtores de dificuldades de aprendizagens.
Segundo a autora Patto, a inadequação da escola decorre muito mais de sua má qualidade ,da suposição de que os alunos pobres não têm habilidades que na realidade muitas vezes possuem, da expectativa de que a clientela não aprenda ou que o faça em condições em vários sentidos adversas ä aprendizagem, tudo isso a partir de uma desvalorização social dos usuários mais empobrecidos da escola pública elementar.
Temos muitas suposições, muitas vezes de cunho nitidamente ideológico, que estamos acostumados a tomar, sem contestar, com verdades definitivas.
A experiência educacional conduzida pelo GEEMPA- Grupo de Estudos sobre Educação, Métodos de Pesquisa e Ação de Porto Alegre, permitiu chegar a conclusões do seguinte teor resultados surpreendentes: não foram encontradas crianças subnutridas nem com problemas neurológicos em grupos de multirepetentes.
O fracasso da escola pública elementar é o resultado inevitável de um sistema educacional gerador de obstáculos ã valorização do trabalho pedagógico e marcas do sistema público inadequado dos processos de ensino,de avaliação de aprendizagem, precariedade das condições de trabalho do professor,sua insatisfação profissional e suas lacunas de formação.
Estudiosos da conduta burocrática afirmam que a vida cotidiana nas sociedades capitalistas implicam exagerada dependência de regulamentos e padrões quantitativos, impessoalidade exagerada nas relações intra e extra grupo e resistências a mudança, onde o administrativo tem precedência sobre o pedagógico.
O cuidado para que o compromisso dos educadores seja cada criança e não com os números deve ser constante.
O fracasso da escola elementar é administrado por um discurso científico que, escudado em sua competência, naturaliza esse fracasso aos olhos de todos os envolvidos no processo.Existe uma visão das famílias pobres como portadores de defeitos morais, psíquicos, justificando a ineficácia da ação pedagógica.Esta visão preconceituosa, encontra apoio nos resultados de pesquisas que fundamentam tais afirmações de uma ciência que tem como álibi uma objetividade e neutralidade.
Segundo Heller “o enriquecimento das capacidades técnicas e manipulatórias não ocorre paralelamente ao enriquecimento do homem, pois quanto mais se estereotipam as funções do papel, tanto o homem pode crescer até sua missão histórica.”
A convivência de mecanismos de neutralização e rebeldia faz da escola um lugar propício á passagem ao compromisso humano- genérico.
A conduta burocrática é uma estrutura na qual a direção de atividades coletivas fica a cargo de um aparelho impessoal hierarquicamente organizado que deve agir segundo critérios impessoais de dominação, as organizações burocráticas se valem de mecanismos de neutralização do conflito, manipulando todas as instâncias.Heller lembra que as pessoas são únicas, não apenas portadoras de papéis.


O educador deve estar capacitado para uma escuta, que leve em conta as fantasias, angústias e defesas de quaisquer processos.
Apenas libertar-se dos preconceitos não significa desenvolver o caráter tolerante, mas essa tolerância é um princípio do liberalismo. As ideias tolerantes são passivas e por isso historicamente ineficazes quando destituídos de preconceitos opera com juízos provisórios baseados na confiança e não na fé.


É necessário espaço para que cada participante se torne indivíduo consciente das aspirações sociais e particulares socializando sua particularidade responsável. Essa é uma condição necessária para que a instituição se transforme numa comunidade de conteúdo positivo.


Resenha realizada por Flávia Garcia Fernandes.